sábado, 28 de maio de 2011

29 DE MAIO - 6º DOMINGO DA PÁSCOA - Entendendo a Palavra de Deus.


FUTURO E PRESENTE SE UNEM, NO DOM DO ESPÍRITO.

O Evangelista São João, com seu harmonioso estilo literário, reapresenta, ao longo do discurso de despedida de Jesus na última ceia, os principais temas da revelação: o amor do Pai e de Jesus; os mandamentos de Jesus e o novo mandamento do amor; o crer em Deus e em Jesus, Caminho, Verdade e Vida; o conhecer Jesus e o Pai; permanecer em Jesus; o dom do Espírito de Amor e o dom da vida eterna na comunhão com Jesus e o Pai, no Espírito.
No evangelho de hoje, trecho deste discurso, é retomado o tema dos mandamentos de Jesus e sua observância, e o dom do Espírito.
Os mandamentos de Jesus se expressam em formas diversas: guardar a sua palavra, ter fé e praticar o que ele viveu, crer nele e ter a vida eterna, praticar a verdade, acolher seu testemunho, trabalhar pelo alimento que permanece para a vida eterna, servi-lo e seguir seu exemplo de serviço.
Todos seus mandamentos convergem para o seu novo mandamento: "Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros" (Jo 13,34.35; 15,12 - cf. 27 maio).
A culminância dos mandamentos é o amor divino de Jesus a ser vivido pelos discípulos, em comunhão de vida eterna com o Pai.
Associado a este amor está o dom do Paráclito, o Espírito da Verdade. O Pai dará este Espírito, ele permanece junto de nós e está em nós.
Futuro e presente se unem, no dom do Espírito.
O Paráclito, palavra de origem grega, significa consolador ou defensor.
O termo grego, em suas variantes, é abundantemente usado nos textos paulinos (textos de São Paulo), com o sentido de consolo.
É também usado algumas vezes em Lucas, e uma única vez no Evangelho de São Mateus, na bem-aventurança dos que choram (Mt 5,4).
Com a sentença: "Ainda um pouco de tempo e o mundo não mais me verá; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis", Jesus afirma sua permanência na vida divina e eterna e o dom desta vida àqueles que cumprem seu mandamento de amor.
A expressão "porque eu vivo" se diferencia da tradição sacrifical judaica-cristã segundo a qual Jesus morto na cruz transforma-se em um cadáver a ser reanimado novamente por sua ressurreição, tornado então Filho de Deus, como prêmio de seu auto-sacrifício.
O Espírito que nos é dado nos revela a presença de Jesus entre nós: "Não vos deixarei órfãos: eu voltarei a vós... Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós ".
A volta de Jesus, ele no Pai, os discípulos nele e ele nos discípulos, significa a comunhão de vida eterna com Deus já neste mundo, a partir da comunhão de amor. Na primeira leitura, a imposição das mãos para a comunicação do Espírito é apresentada como complemente ao "batismo de Jesus".
Contudo, em sentido oposto, mais adiante, em Atos (10,44-48), quando Pedro, na Samaria, ainda falava, o Espírito Santo caiu sobre todos os que ouviam a Palavra. Então Pedro declara: "Poderia alguém recusar a água do batismo para estes que receberam o Espírito Santo, assim como nós?".
E determinou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo.
Na segunda leitura (deste Domingo), para as comunidades que sofrem perseguições, é dado um estímulo a serem testemunhas de sua esperança, a partir do testemunho de Jesus, "morto, sim, na carne, mas vivificado no Espírito".
O Espírito é a garantia da permanência na vida divina, no sofrimento ou na morte física.


Pe. Helder Tadeu
SCIO CUI CREDIDI - Sei em quem Acreditei.

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